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Arquitetura

Educação Patrimonial por Arq. Izaura Morais

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Entende-se como Educação Patrimonial o conjunto de ações que têm como foco o conhecimento do Patrimônio Cultural e visa o entendimento histórico-cultural e todas suas manifestações, gerando a conscientização para sua preservação e conservação.  Sempre que um grupo se reúne para trabalhar, pesquisar, conhecer alguma realidade este esta realizando uma ação educacional e caso trate-se do patrimônio, estarão realizando uma educação patrimonial.

Segundo Sônia Rampim Florêncio, há que se ter uma noção que se aproxime do entendimento de educação como construção coletiva: “Claro que a visão técnica e o tombamento são importantes, mas a visão do jovem ou do idoso sobre um centro histórico, carregada de afetividade e referências culturais vitais que mediam o processo de formação dos sujeitos, carrega muitos sentidos e precisa ser levada em conta. Para entender patrimônio cultural, não adianta uma educação bancária”. Nesse sentido percebemos a importância da participação como individuo e comunidade para a geração e continuação do patrimônio cultural e a educação patrimonial entra exatamente nesse contexto, é muito importante que a comunidade tenha uma visão crítica e consciente do patrimônio para além de preservar e conservar se fortalecer como identidade e cidadania.

O Brasil é um país pluricultural, isso porque a sua formação se deu a partir de diversas etnias, e essa pluralidade constrói a identidade da cultura Brasileira, todas as ações através das quais os povos expressam suas formas específicas de ser constituem a sua CULTURA e esta vai ao longo do tempo adquirindo formas e expressões diferentes. A cultura é um processo contínuo e dinâmico, transmitido de geração em geração, que se aprende com os ancestrais e se cria e recria no cotidiano do presente, na solução dos pequenos e grandes problemas que cada sociedade ou indivíduo enfrentam.

O Patrimônio Cultural Brasileiro não se resume aos objetos históricos e artísticos, aos monumentos representativos da memória nacional ou aos centros históricos já consagrados e protegidos pelas Instituições e Agentes Governamentais. Existem outras formas de expressão cultural que constituem o patrimônio vivo da sociedade brasileira: artesanatos, maneiras de pescar, caçar, plantar, cultivar e colher, de utilizar plantas como alimentos e remédios, de construir moradias, a culinária, as danças e músicas, os modos de vestir e falar, os rituais e festas religiosas e populares, as relações sociais e familiares, revelam os múltiplos aspectos que pode assumir a cultura viva e presente de uma comunidade. (IPHAN, 2018)

Para a Educação Patrimonial a metodologia específica pode ser aplicada a qualquer tipo de manifestação cultural, material ou imaterial, seja um objeto ou conjunto de bens, um monumento ou um sítio histórico ou arqueológico, uma paisagem natural, um parque ou uma área de proteção ambiental, um centro histórico urbano ou uma comunidade da área rural, uma manifestação popular de caráter folclórico ou ritual, um processo de produção industrial ou artesanal, tecnologias e saberes populares, e qualquer outra expressão resultante da relação entre os indivíduos e seu meio ambiente.

O IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Cultural) responsável pela proteção e promoção dos bens culturais do país, busca implementar através das suas ações institucionais a educação patrimonial. Cada uma de suas instituições representativas nas diversas partes do país é responsável por fazer o diálogo com a comunidade através de políticas de educação, reconhecimento e proteção do patrimônio. As principais diretrizes que devem nortear as ações de Educação Patrimonial decorrem de um longo processo de debates institucionais, aprofundamentos teóricos e avaliações das práticas educativas voltadas à preservação do patrimônio cultural.  O processo educativo, em qualquer área de ensino/aprendizagem tem como objetivo levar os alunos a utilizarem suas capacidades intelectuais para a aquisição de conceitos e habilidades, assim como para o uso desses conceitos e habilidades na prática, em sua vida diária e no próprio processo educacional. A Educação Patrimonial consiste em provocar situações de aprendizado sobre o processo cultural e seus produtos e manifestações, que despertem nos alunos o interesse em resolver questões significativas para sua própria vida, pessoais e coletivas.

Logo IPHAN

O patrimônio cultural faz parte do nosso cotidiano, nós enquanto indivíduos estão construindo e usufruindo constantemente desse patrimônio, portanto não se pode deixar que ele acabe, pois ele conta e remonta a nossa própria história. Não existe futuro sem passado e a educação patrimonial além de ações propostas deve estar no coração dos indivíduos para que o patrimônio receba o devido valor. Infelizmente muitas pessoas desconhecem a importância de preservar, conservar as raízes e cabe às disciplinas especialistas como história, arqueologia, museologia, paleontologia, arquitetura e afins difundir a um grupo essa importância, que devia se iniciar na escola primária. Contudo a educação patrimonial surge no contexto de despertar no indivíduo e comunidade a importância do patrimônio e bem como a de sua preservação, faz com que estes se reconheçam como autores dessa história e busquem suas identidades culturais e possibilitem às futuras gerações o direito a esse mesmo patrimônio. A Educação patrimonial é um instrumento para a “alfabetização cultural” da comunidade.

Por Izaura Morais
Arquiteta e Urbanista
Professora de Teoria da Arquitetura e Urbanismo e  Técnicas Retrospectivas
@izaurinha

 

Iphan. Guia Básico da Educação Patrimonial. Disponível: portal.iphan.gov.br/uploads/temp/guia_educacao_patrimonial.pdf.pdf . Acesso: 06/09/2018

Internet: portal.aprendiz.uol.com.br . Acesso: 06/09/2018

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