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#diadasmulheres

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Março,  mês que é celebrado o dia internacionalmente da mulher, para que esta seja parabenizada, elogiada, presenteada e “valorizada”. Isso, claro, se tiver um pouco de sorte, pois muitas sofrem violência antes, no dia e depois. O Brasil é considerado o 5º país do mundo com a maior taxa de feminicídio. Uma mulher é morta a cada duas horas e segundo dados do IPEA, ocorrem cerca de 822 a 1.370 estupros por dia no país.

Imagem: @midianinja

São dados extremamente assustadores e dolorosos, pois saber que uma mulher morre pelo simples fato de ser mulher, dói. Saber que uma mulher é estuprada por conta da sua roupa, dói. Saber que uma mulher é assediada em casa, no trabalho, na escola, na rua, dói. Saber que uma mulher apanha do parceiro que escolheu ter em sua vida, dói. Ter medo de viver dói bastante. E é por esses e outros motivos que o movimento feminista existe e resiste todos os dias. É pelas mulheres. É por todas as vidas machucadas/destruídas pelo machismo, pelo racismo, pela homofobia, pela nossa sociedade que é tão má, e julgadora.

Mas o que é Feminismo, e por que as pessoas tem tanto medo dele?

Para muitos o feminismo é “o gênero feminino ser superior ao gênero masculino”; “mulheres querendo carregar cimento”; “mulheres querendo não depilar”; “mulheres querendo mostrar os seios pelas ruas”; “mulheres querendo e ponto”. De fato não estão errados quando dizem que “queremos”. O verbo querer é um dos maiores objetivos dentro do feminismo. Queremos mesmo o poder de escolha e é disso talvez que venha o medo dessas pessoas. A partir do momento em que uma mulher quer, em que uma mulher escolhe, ela se torna independente e para muitos não ter alguém dependente é um ato terrível.

Mas saibam, o Feminismo é um movimento político que extraordinariamente engloba diversas lutas e deseja acima de qualquer coisa que a mulher tenha respeito e como eu disse, poder de escolha. Dentro do movimento podemos encontrar diversas vertentes, algumas delas são o Feminismo Liberal que veio da 1ª onda e é onde as mulheres querem trazer condições parecidas com as dos homens, como igualdade no casamento, na educação e perante a lei; o Feminismo Radical que veio da 2ª onda e é onde as mulheres buscam compreender qual é a origem da opressão que se dá às mulheres para que elas possam se construir como sujeito ao lados dos homens e não ser iguais a eles (o que é ser mulher? O que constitui a essência feminina?) e o Feminismo Interseccional que veio da 3ª onda e é onde que se percebe que nem todas sofrem só das ou as mesmas violências, por isso dentro do interseccional entra outras vertentes como o Feminismo Negro, o Lésbico e o Transfeminismo.

As vertentes não são uma maneira de segregar o Feminismo e muito menos as mulheres, mas sim uma forma para que as mulheres consigam entender o movimento e possam construir um diálogo. O ponto de partida do feminismo, é a igualdade de gênero no meio político, social e econômico. Porém, devemos sempre lembrar e compreender que as mulheres podem ser oprimidas de várias formas e é por isso que existem diversas vertentes e lutas, tais como contra o machismo, o racismo, a homofobia, a transfobia, a violência contra a mulher, contra a rivalidade feminina, contra os estereótipos de beleza, contra a criminalização do aborto etc.

Arte: @suavecamp

Feminismo e Arte

A relação entre arte e feminismo foi encontrada através das indagações da arte contemporânea sobre questões tais como gênero, identidade, sexualidade etc. Não existe um movimento artístico que seja propriamente feminista, mas pode-se dizer que existe um estética feminista dentro da arte.

Muitas artistas que se consideram feministas atuam politicamente em seus trabalhos, protestando contra a desigualdade, o patriarcado, a misoginia, a violência, o racismo etc. Uma dessas artistas é a Adrian Piper que em 1986 fez vários cartões de visita e um deles tinha como intenção desarmar casos de agressão sexual.  O cartão dizia: “Caro amigo, não estou aqui para pegar alguém ou ser pega. Estou aqui sozinha porque quero estar aqui, sozinha”.

“My Calling (Card) #3” (Reactive Guerrilla Performance for Disputed Territorial Skirmishes).

A conquista pelo espaço dentro da arte sempre foi uma busca constante para as artistas femininas. Você já parou para pensar que os nomes mais famosos que temos dentro da arte são masculinos? Claro que temos grandes nomes como Frida Kahlo, Artemisia Gentileschi, Tarsila do Amaral, Anita Malfatti entre outras. Porém a quantidade de nomes famosos de pintores homens é esmagadora.

Em 1985 um grupo chamado Guerrilla Girls se formou para combater exatamente isso, o machismo e o sexismo dentro do mundo artístico. Em 1989, elas compararam o número de artistas mulheres na sessão de arte moderna do Metropolitan com a quantidade de nus masculinos e femininos (isso também é um grande problema, pois o corpo da mulher na arte é sempre pintado por um olhar masculino), e o resultado foi este:

“As mulheres precisam estar nuas para entrarem no Metropolitan Museum? Menos de 5% das artistas na sessão de arte moderna são mulheres, mas 85% da nudez nas obras é feminina”

Desde 1985 até hoje, o grupo, formado por artistas feministas, tenta mostrar às pessoas as desigualdades de gênero e de raça que ocorre no universo da arte. É um grupo que possui trabalhos excepcionais e extremamente importantes para o movimento feminista já que suas denúncias acabam ultrapassando esse universo e demonstram o que mais queremos: respeito, poder de escolha e espaço em todos os meios da nossa sociedade.

Algumas Dicas de Filmes e Séries com Mulheres Fortes:

  • As Sufragistas
  • O Sorriso de Monalisa
  • Frida
  • Histórias Cruzadas
  • Estrelas Além do Tempo
  • Grandes Olhos
  • Eu Não Sou Um Homem Fácil
  • Mulheres Divinas
  • Orange is The New Black
  • The Handmaid’s Tale

 

Por Julliany Oliveira

 

 

Referências Bibliográficas

MORAES, Naymme. Arte e Feminismo: para além do gênero, uma arte política. Disponível em: <https://blog.mettzer.com/referencia-de-sites-e-artigos-online/> Acesso em: 06 de março de 2019.

REDAÇÃO HYPENESS. Guerrilla Girls: há 30 anos lutando pela igualdade de gênero no universo das artes. Disponível em: <https://www.hypeness.com.br/2017/07/lutando-pela-igualdade-de-genero-no-universo-das-artes-ha-mais-de-30-anos-conheca-as-guerrilla-girls/> Acesso em: 07 de março de 2019.

Cai o nº de mulheres vítimas de homicídio, mas registros de feminicídio crescem no Brasil. G1. Disponível em: <https://g1.globo.com/monitor-da-violencia/noticia/2019/03/08/cai-o-no-de-mulheres-vitimas-de-homicidio-mas-registros-de-feminicidio-crescem-no-brasil.ghtml> Acesso em: 08 de março de 2019.

CUNHA, Carolina. Feminicídio – Brasil é o 5º país em morte violentas de mulheres no mundo. Disponível em: < https://vestibular.uol.com.br/resumo-das-disciplinas/atualidades/feminicidio-brasil-e-o-5-pais-em-morte-violentas-de-mulheres-no-mundo.htm> Acesso: 08 de março de 2019.